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A ideia do projeto nasceu de um desejo de investigar a imagem da Boneca Quebrada, como nos devaneios mais infantis, por meio de um processo colaborativo de construção de cena e de dramaturgia guiado por três estímulos principais: os conceitos “cuerpo roto” e de “cuerpo sin duelo”, desenvolvidos por Ileana Diéguez (México-Cuba), a Isla de las Muñecas, na cidade do México, e os objects-trouvés de Tadeusz Kantor, com os quais as bonecas quebradas da ilha de Xochitlmilco parecem dialogar.

A proposta artística parte de um entendimento da teatralidade performática e política, da qual o gesto e o movimento participam de forma essencial para a criação de uma dramaturgia de processo. Assim, partindo de um desejo de ouvir a espectralidade que atravessa as bonecas quebradas da isla de las muñecas mexicana, a patologia que nelas grita, a equipe de criação foi ao México, em fevereiro de 2015, para aprofundamento da pesquisa que fundamenta a construção do espetáculo. A partir disso, os rumos do projeto começaram a se delinear melhor e a delimitar uma história assustadora: desde a década de 1990, 2.000 mulheres foram assassinadas e 4.000 desapareceram em Ciudad Juarez, na fronteira com El Paso, no Texas. Uma trama que entrelaça feminicídio, capitalismo transnacional e conservadorismo machista na fronteira com o maior consumidor de drogas do mundo: os EUA.

​Tecida entre o poético e o documental, com momentos de alusão ao oratório típico dos coros gregos, a dramaturgia lança uma luz sobre a história dos assassinatos em Juarez e sobre a continuidade desses crimes até os dias de hoje: as jovens assassinadas são peças de uma grande e perversa engrenagem. De mão de obra barata, convertem-se em objeto de prazer sádico e de disputa de poder entre narcotraficantes e empresários locais. A impunidade conta com a cumplicidade de uma polícia e de um governo corruptos, que apresentam culpados de fachadas, numa tentativa de mascarar a identidade dos verdadeiros assassinos e de inscrever tais crimes na ordem da chamada “violência doméstica”.

​O feminicídio em Cuidad Juarez é de outra natureza, ainda mais cruel, mais perversa, mais monstruosa e, por isso mesmo, exemplar.

Ficha Técnica

 

Encenação: Verônica Fabrini

Dramaturgia de processo: João das Neves, Isa Kopelman, Lígia Tourinho, Luciana Mitkiewicz e Verônica Fabrini

Consultoria teórica: Ileana Diéguez

Direção musical: Silas Oliveira

Cenário e figurinos: Rodrigo Cohen

Iluminação: Bruno Garcia

Projeções: Júlio Matos e Coraci Ruiz

Elenco: Ilea Ferraz, Lígia Tourinho e Luciana Mitkiewicz

Assistente de cenografia: Érico Damineli

Cenotécnico: Basquiat Rezende

Assistente de figurinos: Silvana Nascimento

Equipe de costura: Adelvane Neia, Maria do Carmo Bianchi, Nilton Machado e Silvana Modelli

Fotos de cena: Patrícia Cinavides, Maycon Soldan e Américo Júnior

Registro videográfico: Laboratório Cisco, Flávio Lauria e Tabatta Martins

Projeto gráfico: Rangel Egídio (Crioula Design)

Direção de Produção: Lígia Tourinho e Luciana Mitkiewicz

Realização: Bonecas Quebradas Produções Artísticas

Assistente de produção e divulgação: Carolina Spork

Divulgação em redes sociais: Carolina Spork e Aline Miranda

Montagem e operação de luz e cenário: Tabatta Martins

Montagem e operação de som e vídeo: Alex Guimarães

 

Projeto contemplado no Rumos Itaú Cultural 2014-2015 e no Edital Rio – cidade olímpica, da Prefeitura do Rio.

Apresentações: Itaú Cultural São Paulo (2015); SESC Copacabana e Centro Cultural Sérgio Porto, ambos no Rio de Janeiro (2016).

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